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A decepção do Mundial em pauta: Gottardo, Alex e Sorín relatam histórias de 1997

Durante programa Resenha, da ESPN, no domingo, Wilson Gottardo contou bastidores da Libertadores e do Mundial de Clubes aos também ídolos celestes

postado em 20/03/2017 15:25 / atualizado em 20/03/2017 16:03

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O frustrante projeto do Cruzeiro para a decisão do Mundial de Clubes foi relembrado pelo capitão da conquista da Copa Libertadores de 1997, o zagueiro Wilson Gottardo, no programa Resenha, na Espn. Os apresentadores Sorín e Alex, ídolos cruzeirenses e que chegaram à Toca em 2000 e 2001, respectivamente, também contaram algumas histórias sobre os bastidores de um dos jogos mais importantes da história do clube.

Para refrescar a memória do torcedor, é preciso lembrar que, após o título da Copa Libertadores, o técnico Paulo Autuori deixou o clube para a chegada de Nelsinho Baptista. Depois daquela conquista, o Cruzeiro caiu de rendimento. Prova disso é que, no Campeonato Brasileiro daquele ano, disputado por 26 clubes, o time celeste ficou em 20º lugar.

Diante desse cenário, a estratégia encontrada pelo então presidente Zezé Perrella, em comum acordo com o técnico Nelsinho, foi a contratação de três grandes jogadores para o Mundial. Os atacantes Bebeto e Donizete 'Pantera' e o zagueiro Gonçalves chegaram a Belo Horizonte vinte dias antes da decisão e fizeram apenas um jogo oficial com a camisa do clube, justamente a decisão contra o Borussia Dortmund da Alemanha.

Antes de o trio chegar a BH, Nelsinho afastou alguns jogadores do elenco, entre eles o zagueiro Wilson Gottardo, que relembra, inclusive, uma conversa que teve com o treinador.

“Após a conquista da Libertadores, fomos jogar contra o Palmeiras, perdemos o jogo por 4 a 0. Mas o time ainda estava na euforia da conquista, tudo era festa, time estava desarticulado ainda, é muito difícil sair de uma emoção intensa e ir para um jogo normal de campeonato. E depois o time não se encontrou na competição, estava passando um momento difícil, mas eu me lembro bem do meu comportamento, o jogo coletivo era uma coisa e o jogo individual era outra coisa. Eu me lembro que antes de eu ser sacado do time, nos últimos quatro jogos, fui o melhor em três. Jogo em Caxias do Sul, em Curitiba e um jogo contra o Colo Colo-CHI, fui eleito o melhor pela imprensa mineira. Depois do jogo contra o Sport, em que perdemos também, fui sacado do time. O time estava mal. O treinador Nelsinho Baptista fez algumas modificações, afastou alguns jogadores, inclusive eu, que até o indaguei: 'Você está me tirando do time por quê?'. 'Ah porque acho que você não está bem', ele disse. 'Como, se eu fui o melhor em campo em três jogos?', falei com ele. Estava jogando bem, mas era a decisão dele. Ai eu entendi que isso foi se estendendo até o jogo no Japão. E ele não me levou para o Japão. O Cruzeiro trouxe um pessoal do Rio”, disse Gottardo.

“No lugar do Zezé Perrella eu aceitaria porque foi uma decisão do treinador. O treinador decidiu, vou fazer isso e pronto. E o Perrella falou assim: 'Era o titulo da minha vida, eu quero ser campeão mundial', então ele apostou todas as fichas na ideia do treinador. Então a decisão foi dele, bem ou mal, foi dele”, acrescentou o zagueiro.

Relatos de Alex e Sorín

Um dos participantes do programa, o ex-meia Alex, que é próximo a muito jogadores que participaram daquela decisão contra o Borussia, relembrou episódio envolvendo o ex-lateral Vitor, tricampeão da Libertadores por São Paulo, Vasco e Cruzeiro, e que teria 'imposto a sua escalação'.

“Foi a história da imposição do Vitor. Tem muita história em cima do Mundial. Se você olhar o time do Cruzeiro, eram muitos jogadores importantes. E o Vitor, quando viu o Gottardo ficando de lado, disse o seguinte: 'Para cima de mim não, eu estou aqui há um tempão, roí o osso na Libertadores. E de alguma forma eu vou jogar'. E acabou jogando. O Gottardo preferiu ser mais reservado e acabou nem viajando. Existem um milhão de histórias sobre os bastidores do Mundial, e o grupo realmente rachou. Quando eu ouço as histórias em BH, na minha despedida juntamos 90 jogadores, o Cruzeiro realmente trabalhou errado”, disse o ex-armador Alex.

Sorín aproveitou e emendou: “Até o próprio Nelsinho aceitou que foi um erro trazer jogadores de fora com uma base formada, com jogadores vencedores na história”, disse.

Wilson Gottardo acabou nem viajando para o Japão. Outros jogadores perderam lugar no time, casos do atacante Marcelo Ramos, do lateral-esquerdo Nonato e do zagueiro Gélson Baresi. Gottardo disse que a ausência na lista para o Mundial o afetou profundamente.

“Eu nem dormia. Na preparação, quando fui para Atibaia, eu cheguei até a treinar, recebi material, mas meu coração mesmo sabia que estava descartado do 'projeto Japão'. E fui tocando a minha vida mesmo. É lógico que depois fiquei sem querer saber de bola, fiquei 40 dias sem bola, assisti à final e fiquei muito triste, porque tenho amigos lá, tinha o Marcelo Ramos no banco. A decisão do treinador interferiu na vida de muita gente, minha família ficou afetada com isso também, é um negocio muito profundo, vai muito além das quatro linhas, muito além”, disse Gottardo. “Eu acho que me prejudicou porque eu sabia que não teria outra chance de jogar essa taça, seria única na minha vida até pela idade seria muito difícil”, acrescentou.

O Cruzeiro jogou no Japão com Dida; Vitor, João Carlos, Gonçalves e Elivélton; Fabinho, Ricardinho, Cleison e Palacios (Marcelo Ramos); Donizete e Bebeto. Em relação à final da Libertadores, não jogaram Gélson, Gottardo, Nonato, Donizete Oliveira e Palhinha, este último negociado com o Mallorca da Espanha.

A derrota por 2 a 0 para o Borussia Dortmund frustrou os cruzeirenses, que acreditavam no título em função das conquistas de clubes sul-americanos como São Paulo (1992 e 1993) e Vélez Sarsfield (1994) pouco anos antes da decisão de 1997.

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