Ivan Drummond - Estado de Minas
10/02/2012 07:00
Há muito que se discute em que nível está a Superliga Nacional Feminina de Vôlei. Como poder dizer se é uma competição importante no mundo? A resposta está nan participação de estrangeiras. O Minas conta com duas cubanas: a oposto Daymí Echevarria e a ponteira Yusleyni Herrera, mas a presença de três norte-americanas, a oposto Destinée Hooker (Vôlei Futuro-SP), a ponta Danielle Scott-Arruda (São Bernardo-SP) e a líbero Stacy Sykora (Vôlei Futuro-SP) chama a atenção por um detalhe que poderia passar despercebido. Além de brigar por seus times e pelo título, elas fazem as vezes de espiãs, para aprender a maneira de atuar das jogadoras da Seleção Brasileira, com quem mantêm a maior rivalidade do cenário mundial.
Os EUA conquistaram os dois últimos títulos do Grand Prix Mundial vencendo o Brasil em ambas as oportunidades. Além disso, as duas seleções disputaram a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim, quando o Brasil subiu, pela primeira vez, no degrau mais alto do pódio no principal evento esportivo do mundo. E as norte-americanas já estão classificadas para Londres, tendo terminado a Copa do Mundo em segundo lugar, enquanto as brasileiras ficaram apenas em quinto e ainda terão de disputar um ou dois qualificatórios.
Danielle Scott-Arruda, casada com o ex-jogador do Minas Eduardo Arruda, hoje comerciante nos Estados Unidos, foi a primeira a confessar que está disputando a Superliga não só por causa de um contrato. “O Brasil tem um dos melhores campeonatos do mundo, um dos mais fortes e bem disputados. Jogar aqui é a melhor maneira de me preparar para os Jogos Olímpicos. Quando acabar a Superliga, vou para a seleção de meu país, para a disputa do Grand Prix e logo depois a Olimpíada, que é o objetivo maior.”
A ponteira tem as portas abertas no vôlei brasileiro, já que antes de defender o São Bernardo nesta temporada já havia jogado no país, no extinto Leites Nestlé, em 1997/1998, e no Osasco, em 2001. “Eu gosto muito do Brasil. Sou muito bem tratada aqui. Além do mais, sou casada com um brasileiro. Amo o país.”
A líbero Stacy Sykora é mais arredia. Procura não conversar muito. Tornou-se praticamente uma cidadã de Araraquara, depois do drama sofrido no ano passado, quando ônibus que levava o time para o jogo contra o Osasco, na semifinal da Superliga, capotou. Ela sofreu uma grave contusão na cabeça, que a obrigou a fazer um sério tratamento para recuperar os movimentos de mãos e pernas. Por pouco, não teve de abandonar o esporte, mas com força de vontade, conseguiu voltar a jogar e ser convocada para a seleção de seus país na Copa do Mundo, embora não tenha jogado nenhuma partida.
Ela não diz que está no Brasil para espionar, mas sim para jogar e porque gosta da Superliga. “É uma competição forte, que dá vontade de a gente jogar. Isso foi muito importante para minha recuperação. Aqui posso evoluir e também aprender cada vez mais.”
Hooker é direta. Sem rodeios, diz que é importante para ela e as companheiras disputarem a competição brasileira. “Quero ganhar sempre. Vim para ser campeã. É o que busco. Mas é uma grande vantagem disputar essa competição. Não pensei duas vezes quando apareceu a oportunidade. Além do mais, estou aprendendo como jogam as brasileiras. Ainda tenho muito a pegar, como sacam, bloqueiam, passam e algumas jogadas. Saber isso será de muita ajuda para a Olimpíada.”
ATENÇÃO Viver com uma espiã do maior rival não passava pela cabeça das jogadoras do Osasco e da Seleção Brasileira. “Temos objetivo comum de ser campeãs da Superliga. Mas de agora em diante, vou ficar mais atenta e procurar observá-la mais nos treinos e jogos. Se ela está aprendendo com a gente, vamos aproveitar e aprender com ela”, diz a meio de rede Thaísa.
Jaqueline também admite que não encarava a história por esse lado. “Não acho que ela vá pegar todas as informações e nem que eles terão só por isso uma situação privilegiada. Nossa Seleção ainda vai começar a treinar para a Olimpíada e temos estímulo de sobra para vencer os EUA, pois perdemos duas finais do Grand Prix. Ainda mais com essa história de nos espionar.”
CLÁSSICOS
Os jogos de hoje pela Superliga Nacional de Vôlei prometem ser espetaculares, marcados pelo equilíbrio, a começar pela rodada dupla na Arena JK. Às 18h30, pelo torneio feminino, Minas x Sesi-SP, um confronto que tem ares de decisão, já que as duas equipes estão, respectivamente, na quarta e quinta colocações e apenas um ponto separa uma do outra. Às 21h, pelo torneio masculino, Minas x Florianópolis, que já decidiram três vezes a competição, com os catarinenses vencendo duas e os mineiros uma. O time de Santa Catarina é o terceiro colocado, com 32 pontos, enquanto o MTC é o quinto, com 30. O confronto também é uma briga por posições. Ainda em Belo Horizonte, no feminino, o Mackenzie, sétimo colocado, busca a reabilitação depois de três derrotas consecutivas. Enfrenta o São Caetano, às 20h. Em Uberlândia, o Praia, sexto, recebe o Vôlei Futuro-SP, segundo, às 20h.
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