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Corredores da capital encaram mais de 200 quilômetros do Brazil 135

Em ma prova entre São Paulo e Minas Gerais que leva os atletas ao limite da resistência, chegar já é uma vitória

Nádia Medeiros - Correio Braziliense

Publicação:

20/01/2012 10:00

Mandar o “currículo” de corredor e esperar ser aceito é apenas o primeiro passo. Depois, é preciso gastar R$ 1 mil com a inscrição. A seguir, é preciso ter fôlego para percorrer, correndo, 217km, entre São João da Boa vista (SP) e Paraisópolis (MG). Se ao final de tudo isso o pretendente cruzar a linha de chegada em primeiro lugar, ele volta para casa sem nem um real a mais na conta, com apenas uma medalha no peito, os “parabéns” da organização e uma camiseta escrito “Finisher” para reforçar as lembranças da façanha.

Gustavo Moreno/CB/D.A. Press
Haja fôlego: representantes de Brasília na prova que começa hoje no interior de São Paulo


À primeira vista, tanto esforço para quase nenhuma recompensa pode parecer uma loucura. Mas para o grupo de brasilienses que irá representar o Distrito Federal na oitava edição da Brazil 135 Ultramaratona, não é. A largada estava prevista para às 8h de hoje, em São José da Boa Vista, interior de São Paulo.

“Só quem faz e termina a prova sabe o valor de tudo isso”, defende o corredor Manuel Mendes, 50 anos, que fará sua terceira participação na corrida. “Esta competição é um sonho de qualquer ultramaratonista. A sensação de fazê-la é incrível, apesar da dificuldade. Corremos por amor ao esporte”, continua.

Na primeira vez, em 2007, Manuel terminou em 5º lugar geral entre os ultramaratonistas que fizeram a distância sozinhos. Na época, ele não contou com apoio e teve que carregar tudo o que precisaria durante as mais de 30 horas de prova dentro de uma pequena mochila que levava nas costas.

“Teve uma hora em que não tinha mais comida, estava morrendo de fome, e era de madrugada. Nada estava aberto no meio do caminho”, lembra. “Às vezes, a gente planeja, mas nada sai como o previsto”, recorda. “Mas é normal nesse tipo de prova muito longa. Temos de estar preparados para tudo.” A segunda vez na Brazil 135 foi em 2009. Porém, Manuel não conseguiu repetir ou melhorar o feito de dois anos antes e abandonou a prova.

Nesta edição, ele correrá com outro ultamaratonista, o candango Juvam Palmeiras, 38 anos. No ano passado, dos 43 corredores que se aventuraram na competição sozinhos, 17 desistiram. Entre eles, Juvam, que liderou até o quilômetro 115km. “Esquentou muito e me desidratei. Foi um erro de planejamento mesmo”, admite Juvam.


Programação
A largada da prova estava prevista para hoje, às 8h, na cidade de São José da Boa Vista, interior de São Paulo. A chegada em Paraisópolis (MG) de todos os trios deve ser no sábado, até as 20h. As duplas que farão os 217 quilômetros são esperadas no domingo, até as 8h. No mesmo dia, até as 20h, devem chegar os ultramaratonistas que enfrentarão 217km sozinhos.


Tempo limite

O Brazil 135 Ultramaratona permite que os atletas corram sozinhos, em duplas ou trios. Confira quanto tempo cada categoria tem para completar os 217 quilômetros do percurso:

» Solo – 60 horas
» Dupla – 48 horas
» Trio – 36 horas


Estatísticas e curiosidades
A organização da prova monta alguns postos durante todo o percurso da Brazil 135. Em alguns, eles pesam os atletas e verificam a urina dos participantes para ver se eles não estão desidratados. Caso percebam algum caso grave, o corredor é proibido de continuar. Cada participante pode perder, no máximo, 5% do peso inicial.

Para um, dois ou três

Além do desafio solitário, a Brazil 135 também dá a oportunidade para os não ultramaratonistas participarem. Duplas e trios também percorrem os 217km, na forma de revezamento. De Brasília, o trio formado por Fábio Rodrigo Machado, 32 anos; Nelson da Silva Júnior, 49; e Rodrigo Souza, 33, vão competir pela primeira vez na prova. Como evento teste, eles participaram, no ano passado, da corrida 24 Horas dos Fuzileiros Navais, no Rio de Janeiro. Nela, o trio ficou por um dia inteiro correndo em uma pista de atletismo. No fim, Fábio fez 150km; Nelson, 135km; e Rodrigo, 167km.

Eles sabem, porém, que a situação na Brazil 135 será diferente. “No Rio, tínhamos todo um apoio como massagem, piscina de gelo e comida. Agora, não”, diz Nelson. “Nossas esposas vão nos ajudar a fazer o apoio. É sofrimento, mas é isso que a gente gosta. As pessoas pensam que é loucura, mas, na hora que estamos lá, correndo, simplesmente não pensamos em nada. Vai além do físico, é psicológico”, afirma Fábio. No total, dois trios, uma dupla e três ultramaratonistas vão representar o DF na prova.

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