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| O corredor Juvam Palmeira e o cineasta Denilson Félix: parceria iniciada durante o desafio de 24h, no Parque da Cidade, em agosto de 2010 |
Completar os 42.195km de uma maratona é, em geral, tarefa para atletas que vivem sob uma intensa rotina de treinamentos e amparados por uma estrutura técnica que auxilie o desempenho. Aos 38 anos, Juvam Palmeira consegue ir além de todos os estereótipos. Mecânico, parece ignorar o cansaço das oito horas de trabalho ao fim do dia, quando ainda encontra disposição para correr longos percursos com foco em provas de ultramaratona — aquelas que chegam a ter mais de 200km.
As peculiaridades do brasiliense acabaram chamando a atenção do cineasta Denilson Félix, que se dispôs a seguir os muitos passos de Juvam e produzir um documentário sobre a vida do atleta trabalhador. “Percebi que conseguiria reunir um material para mostrar o ser humano que existe por trás do atleta. Tudo que ele faz é na garra”, comenta. Em agosto de 2010, o ultramaratonista decidiu correr por 24h no Parque da Cidade. Foi quando a amizade começou. “Vi a notícia no jornal e me perguntei que pessoa conseguiria fazer isso”, conta Denilson, que foi ao local com câmera na mão para registrar o desafio.
Desde então, a dupla já embarcou junta para outros destinos, como Rio de Janeiro e Serra da Mantiqueira — na BR-135, a Ultramaratona Brasil tem percurso de 217km —, o que já fez surgir o sonho de promover corridas com 24h de duração pelas capitais do país. O cineasta, que conta ter cerca de 12h de material filmado, ainda pretende seguir o corredor por outras competições, antes de prever uma data para o lançamento do longa-metragem independente. “Por enquanto, estamos na saga, ainda falta o clímax”, brinca.
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| Há quase dois anos, o Super Esportes cobriu o desafio de Juvam no Parque da Cidade. Publicações serviram de motivação para a realização do filme |
O próximo destino que deverá render boas imagens será o solo norte-americano. Hoje, Juvam embarca para os Estados Unidos com as passagens aéreas que faturou como prêmio após vencer, pela segunda vez consecutiva, a Volta do Lago Caixa. “Pensei em aproveitar a viagem para correr no Deserto de Mojave, na Califórnia”, relata o atleta brasiliense, que não conseguiu levantar os US$ 8 mil necessários para encarar o famoso Vale da Morte. A opção então foi a prova Born to Run (Nascidos para correr, em português), no próximo dia 19, em Santa Bárbara.
Para participar da corrida inspirada no livro de Christopher McDougall — sobre os corredores descalços da tribo Tarahumara —, Juvam levará no bolso a contribuição de muita gente. De fevereiro até o último sábado, amigos promoveram almoços semanais no Parque da Cidade para levantar recursos para a viagem. Os churrasquinhos a R$ 10 não contavam com carnes vermelhas: apenas frango, acompanhado de guarnições. “Eram almoços bem próprios da turma que gosta de manter a forma”, explica o administrador de empresas e churrasqueiro aos fins de semana Jesus Damasceno. Foram arrecadados R$ 3 mil. “Pagamos a taxa de embarque internacional, a inscrição na corrida, a entrada no albergue e ainda sobraram US$ 750 para ele levar”, comemora.
Percebi que conseguiria reunir um material para mostrar o ser humano que existe por trás do atleta. Tudo que ele faz é na garra”
Denilson Félix, cineasta que produz documentário sobre Juvam Palmeira
Inscrições abertasJuvam faturou o título em 2010 e 2011. Na nona edição, a ultramaratona de 100km deste ano será realizada em 17 de junho. As inscrições estão abertas no site www.voltadolagocaixa.com.br.
"Descanso carregando pedras"
Juvam Palmeira parece sempre querer provar que, com determinação, é possível superar qualquer limite. Como a maioria das pessoas que entra no universo da corrida, o brasiliense, a princípio, só conseguia caminhar. “Comecei a correr por qualidade de vida e porque estava um pouco acima do peso”, justifica. Desde então, 13 anos se passaram e muitas transformações foram vividas quase sem querer. “Fui aumentando as distâncias, comecei a ir até Taguatinga e voltar. Depois, Sobradinho, Brazlândia. Vira um vício”, acredita o corredor, já considerado famoso nas provas de longa distância da cidade.
Para manter o preparo físico, Juvam precisa conciliar os treinos com as horas de trabalho na oficina. “Às vezes, saio na hora do almoço para correr na Água Mineral. Também faço quase 40km no fim da tarde e, nos fins de semana, saio do Guará, vou até o Colorado e volto”, detalha. Apesar de o trabalho como mecânico ser de segunda a sábado, o dia que deveria ser para descanso é usado para mais corrida. “Descanso carregando pedras”, define o atleta, que já percorreu os mais de 200km entre Goiânia e Brasília em 25h50, e sonha em ir para a Grécia, em setembro, para correr os 246km da Spartathlon, prova entre Atenas e Esparta.
25h50
Tempo que Juvam Palmeira levou para percorrer os mais de 200km entre Goiânia e Brasília