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Preocupados com patrocínio, clubes do DF avançam na Liga Nacional

Mega Alfa e AAA UnB se sagraram campeões da Conferência Centro-Oeste

postado em 09/08/2017 10:46 / atualizado em 09/08/2017 11:04

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Facebook/Reprodução
Quando uma pessoa ganha pouco no emprego, ela diz que está “pagando para trabalhar”. Mas existem atletas que passam por essa situação — e não é uma figura de linguagem. Ocorre, por exemplo, com dois times brasilienses de handebol: Mega Alfa, no masculino, e AAA UnB, no feminino. Os dois se sagraram campeões da Conferência Centro-Oeste da Liga Nacional, mas têm receio de não conseguir participar da fase final do campeonato, ainda neste segundo semestre. O orçamento da maioria das equipes que disputam a Liga Nacional gira entre R$ 20 mil e R$ 50 mil por ano, enquanto os candangos contam com pouca ajuda e gastaram entre R$ 5 mil e R$ 10 mil para disputar a primeira etapa da conferência. A maior parte disso tirada do próprio bolso.

“Para as competições universitárias, temos uma ajuda de custo. É para alimentação, e só. Ainda não sabemos onde será a próxima fase, mas, com certeza, terá deslocamento e vamos gastar com isso. Agora, temos que procurar uma parceira para ajudar nessa disputa”, comenta Marcelo Marques, técnico da UnB, que derrotou o Força Atlética, de Goiás, por 26 x 22 na final da Conferência Centro-Oeste.

O Mega Alfa, campeão em cima do goiano Rio Verde, por 25 x 23, tem a ajuda do Clube da Saúde para contar com a estrutura para treinamento. A faculdade Upis também colaborou, cedendo atletas para a disputa. “Ainda não tenho ideia de quanto precisaremos. Mas o patrocinador precisa entender que nada vem de uma hora para outra”, explica Geovane Farias, treinador do Mega.

Os integrantes do Mega Alfa foram responsáveis pelas despesas com transporte, comida, estadia. Outro clube, o KFH/Alfah/Aruc, levou um time masculino e outro feminino: cada atleta desembolsou cerca de R$ 650 para jogar a conferência, com gastos em hotel e alimentação, por cinco dias, mais o combustível utilizado na viagem até Anápolis (GO), onde o campeonato foi realizado. “É triste ver os atletas tirando dinheiro do próprio bolso para disputar uma competição de nível nacional. Fica uma situação difícil para o clube também, porque eu não posso cobrar muito deles, já que eu não posso pagar”, afirma Artur Dourado, treinador do KFH/Alfah/Aruc.

Diferenças 

Os gastos das cinco equipes de Brasília que disputaram a fase regional da Liga — três femininos e dois masculinos — variaram entre R$ 5 mil e R$ 10 mil para cada uma, segundo informações do presidente da Federação de Handebol do DF, Gilberto Cardoso. Para efeito de comparação, o Taubaté, atual campeão da Liga Nacional, conta com um orçamento que chega a R$ 2 milhões. “Hoje, nós temos clubes com uma verba muito pequena que não conseguem avançar porque não têm como custear um investimento maior”, opina Washington Nunes, técnico da Seleção Brasileira de handebol.

A falta de apoio no profissional contrasta com o bom trabalho que vem sendo feito na base, segundo os treinadores. “Se não tiver um lugar onde o atleta da base possa chegar ao adulto, ele vai sair daqui. Isso é uma preocupação muito grande. E não estamos falando exclusivamente daqui ou dali: é no país inteiro”, alerta Nunes. O novo formato da Liga Nacional, que divide os clubes em conferências regionais, é o início de um processo para resgatar os clubes profissionais e oferecer mais oportunidades aos jovens atletas em seus próprios estados. 

Os brasilienses agora esperam o resultado das demais conferências para conhecer os adversários na fase principal da Liga Nacional, que será disputada em dois grupos. As datas e locais dos jogos ainda não foram definidos — devem ocorrer entre outubro e novembro.

*Estagiário sob a supervisão de Leonardo Meireles