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Com a faca entre as gengivas

Publicação:

31/01/2012 08:15

Jovane Nunes
jovane@osmelhoresdomundo.com



Definitivamente, este não é o ano de Marcelinho Paraíba. Para quem não está ligando o nome à pessoa, Marcelinho Paraíba é aquele sujeito moreno e loiro ao mesmo tempo. A morenice é herança da terra e da mistura de etnias que formou o nosso povo. Já a loirice é adquirida por meio de métodos artificiais e, talvez, até proibidos pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ele fez muito sucesso na Alemanha jogando bola pelo Hertha Berlim. Depois de um longo período na Europa, voltou ao Brasil, onde desfilou o seu talento futebolístico no Flamengo e no São Paulo. Atualmente, Marcelinho joga no Sport Recife, onde é ídolo. O azar de Paraíba neste ano começou com a denúncia de que ele havia estuprado uma moça na cidade de Campina Grande (PB) durante uma festa comemorativa pela subida do seu time para a Série A. Depois disso, a vida de Marcelinho passou a ser mais comentada e vigiada, como se ele fosse um integrante do Big Brother Brasil. Isso custou-lhe um processo que tramita na Justiça. A estrela do rubro-negro pernambucano corre o risco de ver o sol nascer quadrado, ir para o xilindró, ou seja, ser indicado para sair das ruas e ficar confinado, numa espécie de reverso do BBB.

Como se não bastassem as broncas com a lei, no último domingo, durante o jogo em que o Sport venceu o seu maior rival, o Náutico, Marcelinho, o nome e craque do jogo, perdeu os dentes. A jogada que causou o inesperado e vexatório acidente foi simples e até corriqueira, mas as forças vetoriais que agiam sobre a boca de Marcelinho, inclusive a força da gravidade, a mais inevitável de todas, foram mais que suficientes para que cinco ou seis dentes caíssem. Isso mesmo. Soltou-se o implante, e Marcelinho ficou com aquela boca de bruxa de conto de fadas. Paraíba ficou assim como se fosse um Tiririca na meia direita do ataque do Leão do Recife. O locutor narrou o lance e não pôde deixar de dizer a frase: “Tá lá um sorriso estendido no chão”. Em vez do massagista, o carrinho da maca entrou em campo com um protético, e Marcelinho saiu para ser atendido fora das quatro linhas. O protético tirou um molde da arcada, e o craque voltou à campo. Não é a primeira vez que isso acontece com o nosso craque. Amigos de Pernambuco avisam-me que é rara a vez em que Marcelinho cabeceia uma bola e a perereca não lhe salta da boca. No caso dele, não há Corega que suporte os 90 minutos. A torcida, da arquibancada, já se manifesta e pede a imediata saída, não do técnico ou do jogador, mas do dentista da equipe.

Mas é em momentos de crise como esse que reconhecemos os grandes homens. O inesperado é a oportunidade para o surgimento de novos heróis. Marcelinho, mesmo sem poder sorrir, dar entrevista ou comer rapadura, meteu a faca entre as gengivas e foi à luta. Graças à sua atitude e à ajuda dos companheiros, o Sport venceu por 4 x 3. Na próxima rodada, o adversário é o time do Belo jardim. Se vencer, o Sport pode assumir a ponta da tabela no Pernambucão deste ano. A ordem para Marcelinho é descansar e fazer uma dieta à base de sopas. O clássico entre Náutico e Sport desse 29 de janeiro de 2012 deixou várias lições. A mais importante de todas é que devemos escovar o dentes desde a mais tenra infância e sempre usar o fio dental.

Jovane Nunes escreve às terças-feiras no Super Esportes

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