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O quarterback dos Giants e a Praia de Itapuã

Publicação:

07/02/2012 09:00

 

Atualização:

07/02/2012 10:23

Jovane Nunes
jovane@osmelhoresdomundo.com



Domingo passado, tivemos a final do futebol americano, o Super Bowl. Resultado do Super Bowl, além do placar:
- Milhões de dólares arrecadados.
- Milhares de turistas na cidade sede.
- Milhares de empregos criados.

 O jogo foi em Indianápolis, Indiana. Esse esporte, futebol americano, é coisa de americano e, obviamente, a final é sempre nos Estados Unidos. Mas eu estava aqui imaginando se, por algum motivo, o jogo tivesse de ser no Brasil, onde seria? Com certeza não seria em Salvador, capital da Bahia.

 Eu gosto muito de Salvador, como quase todos os brasileiros. Salvador foi a nossa primeira capital. Portanto, é o berço do Brasil. Sempre que vou lá, sou muito bem recebido pela simpatia do povo baiano. Minha mãe é baiana. Mesmo assim, acho que o Super Bowl não poderia ser no Estádio da Fonte Nova, que ainda está por ser inaugurado. Não é porque o show do intervalo, em vez de ser com a Madonna, seria com a Claudia Leitte. Eu gosto da Claudia Leitte, acho ela até mais bonita que a Madonna. O problema é que Salvador não comporta um evento de nível mundial, que reúna muita gente e exija um mínimo de organização. O carnaval de Salvador é um evento de nível mundial que reúne milhares de pessoas, mas é desorganizado.

 As ruas de Salvador não estão adequadamente limpas, não há transporte público que preste, as praias urbanas são malcuidadas e não há segurança. Grande parte da população vive em favelas, e ninguém até hoje pensou em urbanizar e humanizar esses espaços. Outro dia, passei em frente ao hospital que a nossa santa Irmã Dulce criou para cuidar dos pobres. Um amigo baiano me disse que o hospital vai fechar por falta de dinheiro e cuidados. O que há com a Bahia? Será que Irmã Dulce terá de ressuscitar?

 

 Agora mesmo, a polícia está em greve. Anotem: hoje, terça-feira, na cidade de Salvador, vão matar 10 pessoas e deixar mais 10 amarradas para matar amanhã. O governo da Bahia, assim como o prefeito, os vereadores, os aliados e a oposição, está pouco se lixando para esses problemas. O que importa para eles é que tudo acabe em axé. O governo da Bahia se esquece de que policial também é pai de família e que salário miserável é uma forma de ofensa à dignidade.

 Não digo isso por causa do Super Bowl ou da possibilidade de Eli Manning, o quarterback dos Giants, vir tomar uma água de coco no Farol da Barra. Digo isso porque, em breve, teremos no Brasil uma Copa do Mundo de futebol, e Salvador será uma das sedes. E não é só em Salvador. Outras cidades brasileiras em nada perdem para Salvador quando o assunto é desorganização. A PM do Rio ameaça entrar em greve no próximo dia 10, assim como já fizeram os bombeiros cariocas. Os ônibus públicos de Brasília, por exemplo, têm em média 20 anos de uso e vivem sempre todos superlotados.

 Promover uma Copa ou uma olimpíada não é só construir um estádio e dar entrevistas na tevê, sorrindo. Imaginem se, na véspera da Copa, os policiais do país resolverem entrar em greve de novo? E se os hospitais pararem? Se houver um corte no fornecimento de energia? Será que o governo está preocupado com isso? E se houver uma greve nos aeroportos?

 Que Irmã Dulce olhe para nós e impeça que, na Copa, se matem 10 turistas em um dia e deixem outros
10 amarrados para matar no outro dia.

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Autor:

Flavio Dourado


Nasci em Salvador, estive lá em janeiro desse ano e concordo com você!

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