Eu estava em Barcelona em maio de 2002 quando a Seleção Brasileira desembarcou na cidade para fazer seu último amistoso antes da concentração final na Coreia do Sul e no Japão, a fim de conquistar o pentacampeonato dali a pouco mais de um mês.
Surpreendi-me certa noite quando, ao voltar ao hotel, recebi um recado de um amigo brasileiro. Ele também estava na capital catalã com a turma da CBF, a quem dava assessoria técnica, sabia que eu estava lá e deixara dois ingressos para o jogo Brasil x Seleção da Catalunha no dia seguinte, no Camp Nou. Um para mim, outro para a minha mulher.
Um casal de amigos paulistanos que morava na cidade àquela época também ia ao jogo. Desconectada do mundo da bola, a mulher desse meu amigo ia pela festa, e não pelo jogo.
O Brasil jogou mal. O resultado foi um 1 a 1 xoxo de um time que tinha Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu e Marcos contra um antagonista que era um mistão de Barcelona e Catalunya em que só podiam jogar aqueles em cujas veias corresse sangue exclusivamente catalão — não havia espanhóis bascos ou madrilenhos entre eles, por exemplo.
Quando perguntei à minha amiga o que achara do que pretendíamos um espetáculo, ela forçou o sotaque espanhol recém-afinado e largou:
— Que feo!
Em bom português, aquilo era um xingamento para o time que pretendia seguir em busca dos píncaros da glória em terras do oriente.
Pois foi o que pensei na quarta-feira à noite ao assistir à derrota do Vasco para o Nacional do Uruguai em São Januário.
O time do Vasco é velho, mas é bom. Juninho Pernambucano é craque e joga com a cabeça, além de usar muito bem os pés. Diego Souza é destemperado, mas é acima da média. Felipe trata bem a bola quando quer. Dedé é um grande zagueiro, anda meio arrogante, mas é fora de série. O elenco vascaíno não faz feio ante qualquer outro elenco brasileiro e tem experiência de sobra nos confrontos continentais. E daí?
E daí que o Nacional sobrou em campo, envolveu o Vasco, derrotou-o em seu território e deixou claro que Cristóvão Borges e Ricardo Gomes terão de trabalhar duro para dar aplicação tática ao time. Foi um péssimo resultado para o Vasco, mas foi um resultado justo para o que os dois times apresentaram em campo.
Ao longo de todo o segundo tempo eu olhava os lances na TV e só pensava assim: — Que feo, que feo!
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