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Os chinfrins da América

Publicação:

17/02/2012 09:00

Luís Costa Pinto
luiscp@uol.com.br

O que antes era um prazer está quase a virar um sacrifício. Falo de acompanhar a Taça Libertadores da América pela TV, e não me refiro à má negociação da Conmebol com o canal Fox.

Os cartolas da Conmebol e os executivos da Fox devem ter feito um grande negócio na transação dos direitos de transmissão, mas os telespectadores saíram perdendo e a principal competição futebolística das Américas tem hoje, no Brasil, uma cobertura indigna.

Também não tratarei dos estádios acanhados, dos gramados toscos e dos torcedores hostilmente deseducados das arquibancadas que seguem lançando pedras, isqueiros e tudo o que se lhes parece pela frente nos jogadores adversários quando eles se aproximam dos alambrados.

Tratarei, aqui, da ausência de bom futebol — algo tão patentemente presente em praticamente todos os confrontos da primeira rodada da Libertadores.

Vamos começar pelos times de casa: dos brasileiros, só o Internacional fez um investimento à altura da competição e com a pretensão de vir a apresentar algo novo dentro de campo.

O colorado de Porto Alegre tem um elenco interessante e um técnico que há pelo menos seis anos inicia todas as temporadas como alguém promissor, mas prefiro não fazer previsões para o Inter de Dorival Júnior.

O Corinthians, que foi campeão brasileiro aos trancos e barrancos, remendou o time e conservou o burocrático Tite como técnico. Permanecem crendo que um milagre se abaterá no Parque São Jorge e transformará o patético Adriano em herói. Pobres
crentes — despertarão decepcionados.

O Fluminense tem um bom elenco nas fichas de inscrição para o torneio, porém seus melhores craques estão velhos e com contusões sistemáticas. Abel Braga é um comandante de visão e de pulso, mas o Fluminense não irá longe.

O Santos não investiu pesado no setor em que é mais vulnerável: a defesa. Do meio para a frente o time santista é quase luxuoso (desde que Ganso volte à forma), mas das alas para trás é quase um combinado de usina.

O que falar do Flamengo? A escolha de Joel Santana para treinar o time é uma piada recorrente do futebol carioca — às vezes trocam a piada Joel pela piada Cuca. Vagner Love é um folclore ambulante no meio do ataque. A diretoria flamenguista é inepta e Ronaldinho Gaúcho não parece determinado a resgatar sua história nem com a chance de ouro que Mano Menezes está a lhe oferecer.

Do Vasco tratei na última sexta-feira, depois do decepcionante início contra o Nacional do Uruguai.

E o Nacional do Uruguai? Ora, o mais tradicional time da Nação Celeste jogou o melhor futebol desse início de Libertadores e parece confirmar a excelente fase dos uruguaios. Os argentinos cambaleiam em campo e não nos trazem nada diferente. Caminhamos para uma competição de jogos enfadonhos e sempre que puder trocarei os jogos da Libertadores pelas exóticas e divertidas competições regionais. Creio que farei melhor negócio.

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