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COPA 2010

Sai a feijoada, entra o chucrute

Sem o Brasil na disputa, moradores do DF adotam a seleção alemã como "time do coração" na África do Sul. Vizinhos uruguaios ficam em segundo lugar na preferência

Patrícia Banuth - Correio Braziliense

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Publicação:

06/07/2010 08:55

A eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo pegou muita gente de surpresa. A saída dos brasileiros deixou alguns torcedores desanimados em continuar acompanhando o Mundial. Mas muita gente vai continuar assistindo aos jogos e já escolheram para quem vão torcer. Ontem, o Correio foi às ruas e descobriu que a favorita dos brasilienses é a Alemanha.

Os moradores da capital acreditam que os alemães são os que mais têm chances de levantar a taça. O fato de a Alemanha ter eliminado a Argentina e de ter o brasileiro Cacau no time também foram motivos de apoio. Mas, para Guilherme Foureaux, o caso é mais antigo. "Desde menino tenho simpatia. Sempre torci para o Brasil, mas o segundo time da minha família é a Alemanha, apesar de termos descendência francesa", revelou o bancário de 37 anos, exibindo a camisa nova, comprada no domingo.

Quem ficou em segundo lugar foi o Uruguai. Além de ser o último representante da América do Sul, botafoguenses e são-paulinos prometem torcer com fervor para a Celeste por causa de Loco Abreu e Lugano. "Estava torcendo para a Argentina, mas como ela também já foi eliminada, vou torcer para o Uruguai por causa do Loco Abreu", confessou o botafoguense Cristian Carvalho dos Santos, 23 anos.

Com um voto a mais que a Espanha, a Holanda conquistou os torcedores pelo fato de nunca ter vencido a Copa. Do lado espanhol, Francilmar Vilarinho resume o sentimento. "A Espanha é o time que tem mais estrelas nesta Copa e o que joga com mais alegria, eles merecem vencer."
Editoria de ARte/CB/D.A. Press


POVO FALA!

Com a eliminação do Brasil, para quem você vai torcer na Copa?

Emival Brito Costa Silva,
39 anos, gráfico
"Alemanha. Das quatro seleções que restaram, a Alemanha é a que tem o melhor futebol da atualidade"

Enílton Rodrigues,
29 anos, estudante
"Uruguai. É o único representante da América do Sul na Copa. Eles vêm desempenhando um bom futebol. Acredito que eles ganham da Holanda de 1 x 0 e vão disputar a final com a Alemanha"

Domingos José de Araújo,
34 anos, divulgador
"Espanha. Desde o começo da Copa ela está jogando bem. Ela vai ser a campeã este ano"

Laiane Gonçalves,
18 anos, vendedora
"Alemanha. Vou torcer para eles por causa de um jogador que eu acho bonito, o Podolski"

Valter Otacílio de Medeiros,
34 anos, motoboy
"Holanda. Eles ensinaram os brasileiros a jogar. Agora vou torcer para eles"

Kelly Gomes,
25 anos, vendedora
"Alemanha. Além de ter um time muito esforçado, é uma seleção muito ágil, que lembra o futebol do Brasil. É como se os brasileiros estivessem lá"

ARTIGO
Os sul-americanos são eles

Esta Copa provavelmente será disputada pelos dois times que exibiram o futebol como ele é jogado por aqui: Holanda e Alemanha

Lourenço Cazarré

Torcedor que se dá o respeito gosta é de ganhar; se necessário, com gol de mão, em impedimento, na prorrogação.

Invoquei essa lei do futebol nos minutos finais da partida contra a Holanda, quando pedi aos deuses da bola que fizessem com que um daqueles abúlicos rapazes de camiseta azul empurrasse, mesmo que criminosamente, uma bola para dentro do gol de Stekelenburg.

Não fui atendido naquela hora. Os santos só se pronunciaram horas depois, nos estertores da peleja entre Uruguai e Gana, quando ergueram o braço de Luisito Suarez, não para impulsionar a bola, mas para detê-la, num lance que transformou uma partida até então mediana na mais dramática deste Mundial.

No dia seguinte, coloquei-me à frente da televisão para exercer a nossa segunda maior paixão nacional: torcer contra a Argentina. Sucesso total. Nem mesmo o mais otimista dos brasileiros poderia imaginar que as entidades mágicas do balão esférico se pronunciariam de forma tão peremptória em nosso favor. Se no dia anterior havíamos caído da laje na qual fazíamos nosso churrasquinho de gato, os tangueiros foram ejetados da cobertura na qual estavam preparando um suculento “ojo de bife”.

No jogo que encerrou as quartas, senti que a ajuda sobrenatural que nos faltou quando precisávamos dela desesperadamente se apresentou mais uma vez em favor do nosso continente, no pênalti que seria batido por Cardozo. O que vimos depois certamente não tem registro na história do futebol: os dois times perderam um pênalti em poucos minutos e a Espanha marcou o gol mais chorado da competição depois que a redondinha bateu três vezes nas balizas antes de, caprichosamente, procurar a rede paraguaia.

Se é que necessitamos de um consolo para o fracasso diante da Holanda, basta lembrar que as derrotas da Argentina e do Paraguai foram mais dolorosas do que a nossa e que a classificação do Uruguai decorreu de um milagre.

Assim, liberados de praticar o fanatismo a que somos condenados pela nossa condição de brasileiros, podemos agora tentar alcançar o jamais cogitado patamar de torcedores desinteressados (nem tanto, mestre!) nos jogos finais.

Não tendo mais que idolatrar obrigatoriamente aqueles risonhos e simpáticos rapazes que fizeram tantas propagandas televisivas, poderemos concluir, seguindo nossa tradição de generosidade e modéstia, que jogadores como Schweinsteiger, Özil, Mueller, Robben e Sneijder, por exemplo, bem que poderiam jogar num time brasileiro da série B.

Com relação à Holanda, quero destacar aqui apenas a atuação cinematográfica de Robben ao cavar uma falta em cima do Michel Bastos. Quando o carequinha holandês voou a cinco metros de altura trazendo no rosto uma dor que só se vê numa tragédia grega, imaginei que o pobre canhotinha havia sofrido fratura tripla na tíbia. No replay, porém, constatei que Michel nem tocou nele. Palmas para Robben, dono de uma catimba que não encontrou paralelo, neste campeonato, em nenhum jogador sul-americano.

Aliás, pensando bem, como imaginávamos desde o início, essa Copa provavelmente será disputada pelos dois times que exibiram o melhor futebol sul-americano - agressivo, habilidoso e rápido - dos últimos tempos: Holanda e Alemanha.

Lourenço Cazarré é jornalista, teatrólogo e escritor,
autor de Nadando contra a Morte e de outros 34 títulos

Amarelinhas esquecidas

Nas lojas esportivas, a procura pelas camisas dos semifinalistas aumentou depois da derrota do Brasil. O segundo uniforme da Alemanha e a camisa do Uruguai são os mais concorridos. "Depois que o Brasil foi eliminado, vi muitos clientes revoltados entrando na loja para comprar camisas da Holanda e da Argentina. Agora a maior procura tem sido pela do Uruguai, tanto que já se esgotaram", conta Arkson Rangel dos Santos Silva, subgerente da Centauro do Conjunto Nacional. "Após a eliminação, não vendemos nenhuma camisa da Seleção. Pelo contrário, alguns até vieram trocar", revela.

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Autor:

Guilherme Foureaux


Cabe ressaltar que na conversa com a repórter não falei em "segundo time da família", mas sim em "MINHA segunda opção pra torcer em Copas". Mesmo assim, parabéns pela interessante matéria.

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