Brasiliense amarga a lanterna de seu grupo e corre risco de rebaixamento. Correio mostra que as constantes mudanças de técnico e o vaivém de jogadores são responsáveis pelo fiasco
Ney Franco, atual treinador do São Paulo, também se arrisca como cantor. O maior hit do técnico tricolor é Tava na beira do caos, famoso no mundo do futebol. O título da canção serve para exemplificar a atual situação do Brasiliense, representante candango na Série C do Campeonato Brasileiro. O Jacaré ocupa a lanterna do Grupo B, com apenas cinco pontos, e já começa a se preocupar com um possível rebaixamento à quarta divisão.
Com o Gama, maior vencedor da história do Candangão, fora do cenário nacional neste ano — o alviverde nem sequer conseguiu classificação para a Copa do Brasil do ano que vem —, restou ao Brasiliense carregar a responsabilidade de ser o representante do DF mais bem classificado nas divisões do futebol nacional. Em caso de queda, o ano de 2013, marcado pela abertura da Copa das Confederações no futuro Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, pode iniciar literalmente no caos para os clubes locais, como canta Ney Franco em seu hit.
As perspectivas não são das melhores: esta temporada vem sendo de martírio para time e torcida do Jacaré. Eliminado do Candangão sem ao menos chegar às finais, soma-se agora a campanha irregular na terceirona. Em sete partidas, uma vitória, dois empates e quatro derrotas. O ataque marcou oito vezes, mas a defesa é, até agora, a mais vazada entre os 20 participantes (ao lado do Duque de Caxias-RJ), com 12 gols sofridos. O Correio avalia dois fatores que podem explicar como a situação do time de Taguatinga chegou ao nível drástico em que se encontra.
Sucessivas trocas no comando Entra ano, sai ano, e o Brasiliense não consegue manter um treinador durante toda a temporada — somente em 2000, no primeiro ano do clube como profissional, o Jacaré teve apenas um técnico: Ricardo Freitas, campeão da segundona candanga. Em 2012, o cargo de comandante do Jacaré já foi mudado três vezes. Edson Gaúcho iniciou o trabalho, mas foi demitido no início de março. O sucessor, Luiz Carlos Barbieri, assumiu logo depois. Mesmo com as eliminações na Copa do Brasil e no Candangão, Barbieri ganhou confiança da diretoria e começou a campanha da Série C à frente do time. Porém, após uma série de resultados ruins, o treinador perdeu o emprego e foi substituído, no início do mês, por Ney da Matta, 32º treinador da história do clube de Taguatinga. Até agora, sob a batuta do novo comandante, foram duas partidas: um empate e uma derrota.
Dispensas e contratações A alta rotatividade de atletas no Brasiliense faz com que, desde o início do ano, o torcedor não saiba de cor a escalação da equipe. Para se ter uma ideia, ao fim da temporada de 2011 — quando o clube fez uma boa campanha na primeira fase da Série C do Campeonato Brasileiro, mas acabou eliminado logo em seguida —, 16 jogadores foram embora. O clube se movimentou nos bastidores e oito novos nomes desembarcaram na Boca do Jacaré para este ano. Passado o primeiro semestre, mais uma vez o entra e sai de jogadores em Taguatinga foi grande: até agora, durante a disputa da terceira divisão, o time já fez 21 contratações e rescindiu com oito jogadores, como o uruguaio Acosta, que chegou a equipe em fevereiro do ano passado, foi dispensado e acabou recontratado em março deste ano.
23,8% Aproveitamento do Brasiliense na Série C do Brasileiro
Próximos jogos 18/8 / Brasiliense x Caxias 25/8 / Vila Nova x Brasiliense 1º/9 / Brasiliense x Madureira 8/9 / Santo André x Brasiliense 15/9 / Duque de Caxias x Brasiliense 22/9 / Brasiliense x Oeste 29/9 / Brasiliense x Macaé 7/10 / Chapecoense x Brasiliense 13/10 / Brasiliense x Tupi 21/10 / Caxias x Brasiliense 28/10 / Brasiliense x Vila Nova
Saiba mais Gato segue firme na Série D O Ceilândia, atual campeão candango, ainda está na disputa por uma vaga na Série C do ano que vem. Líder do Grupo A05 da quarta divisão, o Gato está praticamente garantido para a próxima fase da competição.
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