Semifinais do Candangão começam nesta quinta: veja entrevista com Andrey

Goleiro do Brasiliense conta ao Correio por que mandou Valdivia escovar os dentes, fala de gafe em mesquita no Irã e sobre o que o impediu de ir à cidade do Drácula quando atuou na Romênia

postado em 20/04/2017 06:00 / atualizado em 20/04/2017 10:45

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

As semifinais do Campeonato Candango começam hoje com os donos dos melhores ataque e defesa tentando superar o último obstáculo que os separam da decisão do título. O Brasiliense, com 20 gols marcados e 9 sofridos, enfrenta o Sobradinho hoje, às 15h30, no Mané Garrincha. Às 16h, no Frei Norberto, o Ceilândia, com 24 bolas na rede e oito contra, visita o Paracatu, carrasco do Gama nas quartas.Um dos trunfos da defesa do Brasiliense nas semifinais é o experiente goleiro Andrey Nazário Afonso, 33. Titular da muralha amarela, o gaúcho de Porto Alegre é cheio de história para contar e coleciona algumas polêmicas na carreira. Em entrevista ao Correio, o jogador revelado pelo Grêmio relembra a atitude de mandar o chileno Valdivia escovar os dentes. Revela histórias dos bastidores da Seleção Brasileira campeã mundial Sub-20 em 2003, nos Emirados Árabes Unidos. O time que tinha selecionáveis de Tite como Daniel Alves e Fernandinho  superou a Espanha, de Iniesta, na final. Andrey explica ainda por que ganhou o apelido de Petr Cech de Natal quando defendeu os arquirrivais América e ABC e fala sobre a nova fase no Brasiliense.
 
Hugo Gonçalves/Esp. CB/D.A Press - 7/4/17
 

Referência

Eu sempre tive um bom conceito no Olímpico, era considerado o sucessor do Danrlei. A imprensa falava muito isso, mas eu não sabia o que esperar ao trabalhar junto com ele. Subi aos 16 anos, vendo um ídolo ali, uma pessoa em que você se espelhava. Fui bem recebido, ele me tratou muito bem. O início de carreira é complicado, então ele me dava chuteira, luvas, é um cara que tenho muito carinho e gratidão, sempre me passava experiência.
 

Brasiliense 

O pessoal do Brasiliense me ligou. Eu estava no Macaé. Lá, eu jogava com o Romarinho (filho de Romário). Sempre procuro informação antes de fechar com algum time e perguntei ao Romarinho. Ele falou para eu vir, que eu ia gostar, só me deu boas informações. É o que ele falou mesmo. O pessoal me recebeu superbem. O clima é bom, descontraído. Estrutura boa para trabalhar. Quando a gente está feliz a tendência é produzir melhor.

Valdivia

Às vezes, tomamos algumas atitudes de cabeça quente. Eu estava bem nesse jogo (Palmeiras x América-RN, pela Série B de 2013) e o Valdívia quis me desestabilizar falando que eu estava em time pequeno. Aí, pensei que não poderia deixá-lo fazer aquilo. Estava me incomodando. Quando nós ficamos bem próximos, eu larguei essa. Falei que ele estava com bafo. Eu o mandei escovar os dentes. Repercutiu bastante, mais ainda porque ele deu uma desestabilizada, ficou me xingando. Falei ainda que ele não ia fazer gol em mim. Não fez.
 

Mundo árabe

Pegamos um táxi lá nos Emirados Árabes Unidos, onde aconteceu o Mundial Sub-20 (2003). Eu, o Jefferson e o Fernando Henrique, os três goleiros do grupo. Não é comum isso fora do Brasil, mas o taxista viu que a gente não era do país e quis cobrar um pouquinho a mais. O Fernando Henrique ficou irritado com o cara. E o taxista tinha um bigodinho. Aí o Fernando falou: “Dá o dinheiro para esse bigode” e bateu a porta do carro forte. A gente teve que dar uma aceleradinha porque ele ficou xingando a gente. Logicamente não entendemos nada, mas foi muito engraçado. Era um xingando em árabe de um lado e a gente falando em português.
 

Mesquita

Outra situação muito engraçada. Novamente nós três juntos. O Jefferson, aquele sossego, não tem boca para nada. O Fernando Henrique é mais agitado, brincalhão, e passou bagunçando, tirando do lugar e chutando os sapatos na entrada de uma mesquita. Não consegui ver a saída dos caras procurando os sapatos, mas deve ter sido engraçado.
 

Terra do Drácula

A gente sabe que não existe isso. O problema do nosso mundo é o ser humano. O ser humano era quem fazia as maldades e colocava a culpa no Drácula. Não tive a oportunidade de visitar a Transilvânia, fica cerca de 4 horas de Bucareste, mas não consegui ir lá. Cultura totalmente diferente. Foi a minha primeira experiência morando fora do país, em 2007. Tive a oportunidade de jogar a Champions e a Europa League. Deu uma base financeira legal, consegui ganhar algum dinheiro novo.
 

Irã

A cidade em que eu estava se chama Mashhad, no nordeste do Irã. Houve um momento complicado lá. O calendário deles se baseia em Maomé. Quando chega a data da morte de Maomé, eles fazem um mês de lamentação. Só pode usar roupa preta ou vermelha. E de bobeira saí com uma camisa branca, de manga comprida, chamava bastante atenção. O pessoal veio comentar comigo e eu coloquei uma palavra mal. Falei: “Quem morreu foi Maomé, não eu”. Deu um rolo grande. Os caras ficaram chateados mesmo. Mas consegui contornar. Tive problemas para receber lá, mas eu acho que na Fifa terá uma solução rápida.
 

Ápice

O momento em que eu estava mais pleno e feliz, jogando bem, mas não com tanta visibilidade, foi no América-RN. Primeiro, Natal é um lugar que eu gosto demais. A gente jogava numa estrutura de Copa do Mundo. Naquele ano (2014), nós chegamos até as quartas de final da Copa do Brasil. Joguei no ABC e no América, mas o América é especial. Até hoje, sou lembrado lá. Falo isso com orgulho.
 
Paulo Filgueiras/EM/D.A Press - 4/5/08

Amado mestre

Uma pessoa que me ajudou muito foi o Adilson Batista. Ele me colocou para jogar lá (no Grêmio). Eu era muito novo, substituindo um ídolo, o Danrlei. Conversei com ele já, porque eu vi um depoimento do Zé Elias comentando a respeito do Mário Sérgio, que não teve a oportunidade de agradecer. Eu não queria que acontecesse o mesmo, aí eu liguei para o Adilson, conversei, tive uma boa conversa com ele. Agradeci o que ele fez por mim. Ele me levou para o Figueirense, para o Atlético-PR e para o Cruzeiro.
 

Fábio

Quando a gente está chegando em um lugar, as pessoas comentam muito, às vezes, até mesmo sem saber. Falaram-me coisas não tão boas sobre o Fábio. Vi uma pessoa totalmente diferente do que escutava. Um cara gente fina, totalmente família. E bom goleiro, um dos melhores que eu vi jogar. Procurei copiar algumas coisas e adaptá-las ao meu estilo. Hoje, o pessoal fala muito do Neuer, que ele joga bem adiantado. O Fábio sempre fez isso.
 

Petr Cech de Natal

No começo de 2014, eu tomei uma pancada na cabeça e tive traumatismo craniano. Quando eu voltei a jogar (no América de Natal), tive receio e resolvi usar o capacete de rúgbi, auxilia na segurança. Dá uma resistência maior. Resolvi usar e o pessoal começou a comentar. E mesmo sem precisar eu fui deixando. Usei até quando eu estava no Irã, quase três anos. Mas, no fim de 2014, eu não precisava mais. Não tinha medo nenhum. É que ele atrapalha a visão periférica, mas, se não atrapalhasse, eu teria deixado até hoje.
 

*Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima

Quem é ele

Andrey Nazário Afonso

Nascimento: 9/11/1983
Local: Porto Alegre (RS)
Clubes: Grêmio, Atlético-PR, Figueirense, Steaua Bucaresti, Cruzeiro, Portuguesa, Criciúma, ABC, América-RN, Paysandu, Boa Esporte, Inter de Lages-SC, Cruzeiro-RS, Mashhad, Macaé e Brasiliense.
Principais títulos: Campeonato Gaúcho e Copa do Brasil (2001), Série B (2005), Campeonato Paranaense (2005), Campeonato Catarinense (2006), Supercopa da Romênia (2006), Campeonato Mineiro (2008 e 2009), Campeonato Potiguar (2014) e Mundial Sub-20 (2003).

“Falei que ele (Valdivia) estava com bafo. Eu o mandei escovar os dentes. Repercutiu bastante, mais ainda porque ele deu uma desestabilizada, ficou me xingando. Falei ainda que ele não ia fazer gol em mim. Não fez”

Andrey, goleiro do Brasiliense 

Programe-se
Candangão

Semifinais (jogos de ida)

Hoje

Sobradinho x Brasiliense

15h30 – Mané Garrincha

Ingresso: R$ 10

Paracatu x Ceilândia

16h - Frei Norberto

Ingresso: R$ 20