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A prorrogação de Gisele

Cinco dias depois de a modelo brasileira criticar o Patriots pela derrota na final do Super Bowl e defender o marido, a frase ainda é motivo de ira, polêmica e piadas

Roger Dias - Estado de Minas

Publicação:

10/02/2012 07:00

A modelo brasileira Gisele Bündchen estava entrando no elevador do Estádio Lucas Oil, em Indianápolis, quando foi provocada por um torcedor do New York Giants, que havia acabado de superar o New England Patriots, equipe do seu marido, Tom Brady, na decisão da liga profissional de futebol americano (NFL), o Super Bowl. “Eli Manning (quarterback do Giants) humilhou seu marido”, brincou o torcedor, que foi prontamente retrucado por Gisele. “Meu marido não pode arremessar a p... da bola e agarrá-la ao mesmo tempo. Não consigo acreditar que eles deixaram a bola escapar tantas vezes”, reclamou.

Cinco dias depois da decisão, a frase da modelo brasileira, de 31 anos, continua repercutindo tanto ou mais do que o triunfo dos nova-iorquinos, por 21 a 17. O desabafo de Gisele, obtido pelo site TMZ, especializado em notícias de celebridades, logo ecoou na internet e foi notícia nos principais jornais e noticiários de TV do país. O Daily News, por exemplo, aproveitou para fazer um trocadilho: “O Super Bawl”, o superberro.

Bündchen, que em 2006 emplacou namoro com um dos principais astros da NFL, não é muito querida pelos torcedores em Boston, sede do Patriots. Desde que o romance começou, o Patriots amarga seca de títulos, depois de viver seus anos dourados com três conquistas em quatro anos (2002, 2004 e 2005). Costuma-se dizer que Brady vive “a maldição de Gisele” e alguns mais fanáticos a apelidaram de Yoko Bündchen, em referência a Yoko Ono, esposa do ex-beatle John Lennon, apontada pelos fãs como o pivô da separação do quarteto de Liverpool. “Bündchen, esposa de Brady, é a Yoko do New England Patriots”, afirmou o TMZ.

Se na arquibancada a musa brasileira não está em alta, entre as esposas dos atletas a visão sobre ela talvez seja mais cáustica. “A Gisele tem muito poucas amigas entre as mulheres de jogadores. Muitas têm inveja do visual dela, mas ela também não facilita, já que obviamente se sente superior a todas nós”, contou uma delas ao jornal Chicago Sun-Times.

Brandon Jacobs, jogador do campeão New York Giants, retrucou, dizendo que Gisele deveria “permanecer bonita e calar a boca”. No entanto, o running back voltou atrás e pediu desculpas. “Devido ao fato de que se trata da esposa de um colega meu, eu peço desculpas por dizer aquilo, pois não deveria ter dito”, justificou-se em um programa da TV norte-americana.

Como consolo, Gisele ganhou o apoio de celebridades e de parte da imprensa. “Ela só está ao lado do marido e não fez nada de errado. Ela apenas o está defendendo e até tem razão nas suas colocações. Ela está sendo criticada em demasia”, afirmou o empresário e apresentador Donald Trump.

CONDUTA A frase de Bündchen também repercutiu entre os dirigentes da liga e ela pode ser autuada por ter violado um código de ética deles. Segundo o site TMZ, a declaração pegou mal na organização, cujo espírito é “vença como um time e perca como um time”. O quarterback, por sua vez, elogiou a equipe rival: “Gostaria de dar muito crédito ao Giants. Eles certamente fizeram as jogadas quando precisavam. Eles são um grande time de futebol e colocaram muita pressão sobre nós”, afirmou Brady, que foi consolado pela esposa depois da derrota.

Panos quentes

Em vez de criar polêmica, a diretora administrativa do Milan e namorada do brasileiro Alexandre Pato, Barbara Berlusconi, filha do ex-primeiro- ministro italiano e presidente do clube, Silvio Berlusconi, resolveu sair em defesa do namorado e dos jogadores ontem, convocando os torcedores a apoiar o time. “Vivemos uma fase crucial da temporada. As próximas semanas serão decisivas”, disse em entrevista à agência Ansa. Quarta-feira o Milan perdeu em casa por 2 a 1 para a Juventus, em jogo de ida das semifinais da Copa da Itália, e está a dois pontos da Velha Senhora na briga pela liderança do Italiano. 

Não ao general 

No Brasil, a mais emblemática das polêmicas sobre palpites envolveu o técnico da Seleção Brasileira em 1969 e 1970, João Saldanha, classificado para a Copa do México. Questionado sobre a possível convocação de Dario, artilheiro do Atlético, ante as especulações de que o presidente e general Médici cobrava a presença do jogador, ele foi duro. “O presidente escala o ministério dele que eu escalo o meu time.” Muitos atribuem à ditadura a queda do treinador poucos meses depois, após empate por 1 a 1 com o Bangu em jogo preparatório. Zagallo o substituiu em março de 1970. Dario acabou convocado. Ambos negam ingerência.

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