RSS Twitter Contato

Minha Conta:

Esqueceu a senha?
  • (0) Comentários
  • Votação:

Jon Jones admite enfrentar Anderson Silva, em entrevista exclusiva ao Correio

Nádia Medeiros - Correio Braziliense

| Tags: celular 

Publicação:

27/10/2012 07:00

 

Atualização:

27/10/2012 15:37

Getty Images

Goiânia — Aos 25 anos, o campeão dos meio pesados do UFC Jon Bones Jones pode até ter um cinturão dourado em casa e ser considerado, ao lado de Anderson Silva, um dos dois melhores lutadores de MMA do mundo. Mas, com exceção desses “detalhes”, o norte-americano é como qualquer outro jovem solteiro dessa idade. Ele quer curtir a vida adoidado.

Na quinta-feira, depois de aterrisar em Goiânia como convidado de um evento de MMA, que ocorre hoje à noite, no Goiânia Arena, Jones logo perguntou pela melhor balada da noite. Ao lado de seu manager e do lutador Wanderley Silva, também convidado do evento, o supercampeão do UFC acabou na Royal, badalada casa noturna da cidade.

Lá, ficou a maior parte do tempo em um camarote. Mas nem por isso deixou de dar atenção aos curiosos. Tirou fotos, deu abraços e conversou com quase todo mundo que chegava perto. Discreto, não largou do copo a noite inteira. E se embebedou de amor, pelo jeito. “Apaixonei umas seis vezes só na boate. Tem muita mulher bonita aqui”, divertiu-se o americano.

Confira o vídeo:



A noitada subiu pela madrugada e Jones, na volta para o hotel, ainda cruzou com a dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, que se apresentou em Aparecida de Goiânia naquela mesma noite. Fãs de eventos do UFC, os cantores pararam e tietaram o Schumacher do MMA. “Não sabia que eles eram tão famosos. Foi engraçado”, comentou Jones.

Curtindo uma ressaca, como confessaria mais tarde, o campeão preferiu ficar na cama até meio-dia. Pediu café no quarto e depois decidiu dar uma passeada a pé por Goiânia. Sentiu-se tão à vontade que dispensou os seguranças — não que ele precise. “Adorei a cidade. As pessoas são tão simpáticas e parecem muito tranquilas.”

De volta ao hotel, o lutador sentou-se em uma mesa do restaurante para conceder esta entrevista ao Correio Braziliense. Inicialmente suando bastante — ele chegou a sugerir que Goiânia tivesse uma praia artificial —, Jones pediu água e emendou uma resposta na outra.

Com um short caqui, blusa cinza com imagem de Helio Gracie, crucifixo prata no pescoço e um estiloso tênis de basquete preto, Jones, claro, abordou a sonhada luta contra Anderson Silva, falou sobre o fato de ter tido Lyoto Machida como um de seus espelhos no MMA e de como ama o Brasil. “Acho que nasci brasileiro em uma vida passada.”

Leia a entrevista completa de Jon Jones ao Correio:

Você sempre teve o mesmo discurso do Anderson Silva de que uma luta entre os dois não está nos planos. Mas, na semana passada, o brasileiro chegou a assumir que, pelos fãs e por causa do UFC, poderia cogitar o combate, apesar de ser contra. E você, também aceitaria pelos fãs?

Eu realmente não quero lutar com o Anderson. Eu o respeito muito. Como eu disse várias vezes, não quero ser o cara que venceu o Anderson e também não quero ser o cara que perdeu para ele. Anderson é um grande campeão, eu sou um grande campeão. Nós dois... (longa pausa). Eu não sei, eu não sei...

Mesmo sabendo que esse seria considerado o maior combate de MMA de todos os tempos?

Pelos fãs... (pensativo). Eu não estou dizendo que a luta não vai acontecer. Pode acontecer. Mas é algo que eu não estou correndo atrás. Ser o lutador mais dominante dos meio pesados e manter o domínio por um tempo, isso , sim, está entre meus objetivos. Eu não acredito que precise lutar com o Anderson para ser o melhor do mundo. Eu acho que só tenho que continuar lutando para ser o melhor de todos.

Dana White prometeu muito dinheiro aos dois para esse combate acontecer. Por quanto você lutaria? Cinco milhões de dólares? Dez milhões?

Dez milhões? (fez barulho com a boca como se quisesse dizer que era pouco). Eu não sei. Sem comentários. Próxima pergunta (risos).

Difícil ir para a próxima. Todo mundo quer saber se você toparia o combate. Última tentação: você e Anderson lutando no Madison Square Garden, em Nova York, na sua casa, que tal?


Lutar contra qualquer um no Madison Square Garden seria grandioso. Um dos meus objetivos é lutar lá um dia.

Você já lutou com o Lyoto Machida, Mauricio Shogun e Vitor Belfort. E ganhou de todos. Afinal, você gosta de bater em brasileiros?


(Risos) Não, eu amo os brasileiros. Eu realmente amo. Acho que nasci brasileiro em uma vida passada. Amo as pessoas, a comida, o clima. Adoro as plantas, adoro tudo sobre o Brasil.

Como foram as lutas contra brasileiros?


Meu primeiro adversário brasileiro foi o Carlos Eduardo Tá Danado. Ele é um ótimo lutador. Eu estava muito nervoso. Era novo no esporte e ia lutar com um brasileiro. Eu sempre ouvi sobre o jiu-jítsu, sobre os Gracies, então, eu sempre pus os lutadores daqui em um pedestal. Apesar do nervosismo, acabei vencendo por nocaute. Depois, veio o André Gusmão, um cara que era faixa-preta do Renzo Gracie. Tambem fiquei muito nervoso, pois ele era treinado por um Gracie.

E o Shogun?

Shogun era um que eu tinha como exemplo quando comecei a lutar. Ele ganhou cinturão do Pride quando tinha 23 anos. Foi ele quem me mostrou que era possível eu ganhar também um cinturão, mesmo sendo jovem. Eu tive de ir até a um psicólogo para poder conseguir lutar com ele, com um cara em quem eu me espelhava. Depois, veio o Lyoto. Cara, antes de eu estar no UFC, todos os meus treinadores diziam: um dia você vai ganhar dele. Faça isso e você vai ganhar do Lyoto. Ele era meu objetivo antes mesmo de eu entrar no UFC. Tudo girava em torno de ser parecido com o Lyoto. Ele era invicto e quase um campeão. Meus treinadores diziam: ‘Corre, trabalhe neste chute e você será Lyoto’. Tudo era sobre ser o Lyoto… (nesse momento, Jones faz uma pausa longa).

Alguma lembrança mais profunda?

Nossa, eu nunca falei sobre esse assunto. Enfim, ganhar dele foi um honra. Já o Vitor era alguém que eu esperei muito, por ele ser cristão e eu também. Foi muito legal. Eu estava meio nervoso antes porque ele disse que Deus tinha dado a ele a chance do título e que ele iria ganhar. Pensei: ‘Mesmo? Ah, não’. Mas depois vi que ele disse isso sobre o Anderson. E eu: ‘Ah, então está tudo bem (risos)’. Talvez Deus deu tenha dado a ele a chance, mas não daria a vitória. Falo isso com todo respeito a ele e à religião.

Você será treinador do The Ultimate Fighter 17. Com 25 anos, terá de ensinar, quem sabe, lutadores mais velhos. Como será essa experiência?


Sabedoria não é definida pela idade. Sou muito experiente quando se trata de artes marciais e ficarei muito feliz em poder passar isso. Passar como eu sou, o que faz eu ser esse lutador. Espero que eles aproveitem isso. E espero também que os fãs vejam como eu sou para terem uma razão para gostarem de mim de verdade.


E como será ter Chael Sonnen do outro lado? Você gosta dele?

Não, eu não gosto dele. Chael será o primeiro cara com quem eu vou lutar e que não gosto. Quer dizer, o Rashad (Evans) foi o primeiro. Eu me importo com o Rashad, a gente conversa, mas também não gosto dele. Chael eu odeio, tenho respeito zero. Não, eu não o odeio (pausa novamente). Enfim, estou dando a ele o que ele quer. Quero encerrar logo este capítulo da minha vida. Mas, no fim das contas, mesmo quando Sonnen perder, ele ainda ganhará porque esteve na luta.

Fica bravo quando ele te chama de Little JJ (pequeno Jon Jones) no Twitter?


Não, isso é loucura. Ele é louco.


Acha que o UFC deveria ter uma espécie de ranking para, assim, definir melhor quem tem a chance de lutar contra o campeão da categoria?

É muito difícil ranquear os lutadores. Eles têm diferentes habilidades. A não ser que você vença todos e, aí sim, pode ser considerado o melhor. Mas o resto... Por exemplo, o Lyoto vence o Rashad e depois o Rashad vence o Lyoto... Acho que existe o número 1 e todos os outros são número 2.

Além de ser número 1, você já está rico como lutador de MMA?

Eu sou rico em espírito.


Certo, então qual a melhor parte em ser um campeão do UFC?

Receber amor em todos os países, em todas as cidades. No Brasil, eu sou um campeão, em Londres, eu sou um campeão e nos Estados Unidos, também. Sou campeão em todos os lugares. Ontem à noite, na boate, eu me senti como um campeão brasileiro. Todo mundo me tratou bem. Foram muitos abraços, beijos, me senti muito feliz.


Tem medo de perder o cinturão?

Não tenho medo. Eu acho que irei perdê-lo um dia. Vai acontecer. Só espero que não seja logo. Seria ótimo me aposentar invicto. Quero lutar até não ser mais bom o suficiente. Eu não tenho medo de lutar e tenho muitos objetivos ainda, apesar de já ser campeão. Quero impactar o mundo de alguma forma positiva, ajudar instituições. E também quero ser o maior lutador de todos os tempos. Quero quebrar os recordes do Tito Ortiz, do Chuck Lidell, do Anderson Silva. Será difícil, mas é importante ter objetivos para te empurrar para frente.

Uma curiosidade: o que você tem no cotovelo, que parece uma faca e corta tudo?


Apenas força (Jones cai na gargalhada). Eu tenho braços muito longos e, por isso, disperso muita energia. Mas a parte mais curta, antes do cotovelo, recebe bastante força e energia. É com isso que eu bato.

Comentar notícia

Verificando informações

Esta matéria tem:

(0) comentário(s)

Não existem comentários ainda


Blogs e Colunas

Infográficos