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Carbajal: "Ele driblou seis e fez o gol"

Em entrevista ao Superesportes, goleiro mexicano lembra obra-prima de Pelé no Mundial de 1962, diz que Maradona é mal-educado e só vê Di Stéfano perto do Rei

Marcos Paulo Lima - Correio Braziliense

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Publicação:

21/10/2010 19:14

 

Atualização:

22/10/2010 18:58

Carbajal se recorda do belo gol de Pelé contra o México, na Copa do Mundo de 1962 (Ronaldo Moraes/O CruzeiroEM/DAPress)
Carbajal se recorda do belo gol de Pelé contra o México, na Copa do Mundo de 1962

A lista de goleiros vazados por Edison Arantes do Nascimento em Mundiais é variada. Nosso personagem poderia ser o galês Jack Kelsey, primeira vítima, em 1958; o francês Claude Abbès, que sofreu três nas semifinais; o sueco Karl Svensson, humilhado finalíssima; o búlgaro Gheorghe Naidenov; o tcheco Ivo Viktor; o romeno Steve Adamache; ou o italiano Enrico Albertosi. Mas nenhum deles foi o escolhido.

Clique e veja a galeria de vídeos sobre o  Rei

 


O preferido mora na América. É mexicano, tem 81 anos, divide com o alemão Lothar Matthäus o recorde de participações em Copas – cinco – e orgulha-se de dizer ao planeta bola: "Sou um homem feliz por ter sofrido um gol do jogador de futebol mais perfeito que já vi jogar em mais de oito décadas de vida. E sou mais velho do que a Copa, hein!", brinca, pelo telefone, Antonio Felix Carbajal Rodríguez, camisa 1 azteca nos Mundiais de 1950 a 1966.

"Desejo que Pelé viva mais 70 anos. Espero voltar ao Brasil na Copa de 2014 para nos divertirmos. Joguei a Copa de 1950 no Brasil e quero assistir à próxima como convidado dele. De preferência, na final, para um novo Maracanazzo. Desta vez protagonizado pelo meu México"

Carbajal mora em León, Guanajuato, um dos 31 estados do México. Lúcido, divertido e objetivo nas respostas, aceitou entrar no túnel do tempo e recordar o gol marcado por Pelé aos 28min do segundo tempo, em 30 de maio de 1962, no Sausalito, em Viña del Mar, na Copa Chile. "Hoje, quando lembro aquele jogo, sinto-me um torcedor privilegiado. Não paguei ingresso, estava no melhor local, ou seja, debaixo das traves, e caí sentado depois de ser hipnotizado pela beleza do futebol de Pelé", encanta-se.

A reconstituição do lance na memória de Carbajal começa com certo exagero. "Ele driblou seis dos nossos jogadores e chutou no canto direito do meu gol", recorda. Enquanto narra, acompanha o lance no YouTube. Lembrado de que, na verdade, Pelé passou "apenas" por quatro mexicanos antes de finalizar, solta uma gargalhada e dispara: "Dois foram driblados de uma só vez, o terceiro perdeu a dividida, o quarto foi driblado e os outros dois que estavam à minha frente também, não pelas pernas dele, mas pelo olhar traiçoeiro de Pelé. Ele não passou pelos últimos dois, mas os enganou usando tão somente a visão espetacular. Ninguém esperava um chute tão rápido."

Veja o gol de Pelé em Carbajal

 

Maravilhado, ele defende que o lance do gol é um resumo do que foi o jogador Pelé. "Primeiro, ele me impressionou por ter lançado a bola de um lado e retomado do outro diante de dois jogadores nossos (a famosa gaúcha). Na continuação do lance, mostrou força ao dividir a bola com um terceiro jogador. Mesmo desequilibrado e quase caindo, passou por um quarto e, diante de mais dois zagueiros, teve fôlego, equilíbrio e técnica para acertar o meu canto direito chutando com a perna esquerda. Só vi Diego Armando Maradona fazer isso aqui no México, na Copa de 1986", compara.

Curiosamente, o Rei se machucou na partida seguinte (0 a 0 com a Tchecoslováquia) e, fora da Copa, não pôde ajudar os companheiros a conquistar o bi para o Brasil. Questionado se Maradona foi tão bom quanto Pelé, Carbajal deixa o bom humor de lado e altera a voz. "Pelé é único. É rei. É deus. Maradona é um mal-educado, prepotente, usou drogas. Pelé nunca precisou recorrer a essas coisas para ser gênio. É uma classe de pessoa, civilizado, um grande ser humano respeitado até hoje, como vi na África do Sul em nosso último encontro. Di Stéfano, outro fenômeno, eu ponho acima de Maradona e abaixo de Pelé."

A estreia de Carbajal em Mundiais foi em 24 de junho de 1950, no Maracanã, na derrota por 4 a 0 para o Brasil, diante de 81.649 torcedores, gols de Ademir (2), Jair e Baltazar.

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