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Agente diz que caso de violência sexual não é impeditivo para Cuca no Galo

Responsável por agenciar a carreira do treinador, Eduardo Uram ainda não confirma acordo com o clube, mas garante que episódio não é motivo para desistência

postado em 03/03/2021 18:12 / atualizado em 03/03/2021 18:36

(Foto: Ivan Storti/Santos)
Atlético e Cuca se aproximaram de um acordo em reunião realizada na tarde dessa terça-feira. Porém, algo ainda incomoda o treinador: a rejeição de parte da torcida alvinegra em função de um episódio de violência sexual em que esteve envolvido no fim dos anos 1980. Por isso, quebrou o silêncio sobre o tema e se disse inocente, embora tenha sido condenado. Em entrevista ao Superesportes, o empresário Eduardo Uram - responsável por agenciar a carreira do técnico - reforçou que o caso conhecido como o ‘Escândalo de Berna’ não será impeditivo para um acerto com o clube alvinegro.

O agente, aliás, garantiu ainda não haver acordo para que o treinador assuma a vaga deixada por Jorge Sampaoli no comando técnico alvinegro. “Para ficar claro: não existe acordo, não existe desistência - pelo próprio fato de não ter acordo. Se houver uma desistência, não será por este motivo (caso de violência sexual)”, disse.

Ainda em fevereiro, torcedores do Atlético fizeram um movimento nas redes sociais contra a contratação de Cuca, campeão da Copa Libertadores de 2013 pelo clube. A hashtag #CucaNão figurou entre os assuntos mais comentados do Twitter algumas vezes nas últimas semanas.

O principal motivo da rejeição é a participação do treinador num caso policial ocorrido em 1987, em Berna, na Suíça, quando era jogador do Grêmio. À época, uma garota de 13 anos acusou de estupro coletivo Alexi Stival (Cuca) e outros três jogadores: Eduardo Hamester, Fernando Castoldi e Henrique Etges.

Em 1989, os quatro foram condenados não por estupro, mas por violência sexual contra pessoal vulnerável (com menos de 16 anos). Embora não tenha sido reconhecido pela garota, Cuca pegou 15 meses de prisão, mas não cumpriu a pena, já que o Brasil não extradita seus cidadãos. Em 2004, a possibilidade de execução expirou.

“Isso não seria um fator de desistência nem para o Atlético e nem para qualquer outra coisa. Em relação a isso, ele está completamente tranquilo com a consciência dele e com Deus. Em relação a isso, não seria. Agora, se essa for a razão de uma eventual desistência no futuro, ela não existe, porque em relação a esse caso, volto a dizer, ele está completamente tranquilo”, continuou Uram.

A reportagem entrou em contato com o treinador para falar sobre o tema, mas não recebeu resposta até o momento da última atualização deste texto. Nessa terça-feira, Cuca resolveu se posicionar, com o objetivo de conter a repercussão negativa do caso. "Eu quero treinar ainda grandes equipes, mas não quero nunca ser um cara mal falado. Prefiro ficar na minha casa à sair aí e achar polêmica, problema. Minha vida é baseada nesses conceitos, que são família, fé em Deus e ser uma pessoa honesta e íntegra", afirmou, em entrevista ao Blog da Marília Ruiz, do Uol.

Após o posicionamento, grupos de torcedores que haviam impulsionado a tag contra o retorno de Cuca voltaram às redes sociais. Parte deles manteve as críticas às declarações do treinador. Foi o caso, por exemplo, da Grupa, um coletivo de atleticanas, que publicou uma nota sobre o tema.

"A postura do treinador em não assumir, não se desculpar, apagar a mancha que não se apaga apenas reitera o seu descaso, o da diretoria atleticana e de todos que o apoiam em relação à manutenção de uma situação de violência constante de desrespeito à mulher e a continuidade de um comportamento de eximir a responsabilidade dos atletas", lê-se em um trecho da nota.


O Atlético não se pronuncia publicamente sobre negociações em andamento. Fato é que Cuca, Uram e representantes da diretoria tratam da chegada do treinador à Cidade do Galo. A ideia do órgão colegiado que administra o clube é fechar um contrato válido até o fim de 2022, para que o comandante esteja à frente do time na inauguração da Arena MRV (prevista para o segundo semestre do ano que vem).

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