LIGA DOS CAMPEÕES

Safra de técnicos da França campeã da Copa de 1998 vive momentos distintos

Enquanto Blanc, Deschamps e Zidane brilham, o estreante Henry amarga goleada, eliminação e a zona do rebaixamento

AFP
Há quem insista em afirmar que aquela França campeã da Copa de 1998 não tinha nada demais. Vinte anos depois, a história é um santo remédio para a dor de cotovelo. Mentor da goleada por 3 x 0 sobre o Brasil, em Saint-Denis, o técnico aposentado Aimé Jacquet, de 76 anos, fez escola. Aquele “timinho” diplomou mais do que heróis. Foi academia para uma nova geração de treinadores. Didier Deschamps, comandante do bi dos Bleus neste ano, na Rússia; Zinedine Zidane, tri da Champions League à frente do Real Madrid; Laurent Blanc, tetra do Campeonato Francês por Bordeaux e PSG. Mas a escola francesa não vive apenas de alunos nota 10. Thierry Henry pode até virar o próximo gênio da prancheta, mas o início da carreira do treinador do Monaco é tenebroso.

Em cinco partidas no cargo, Henry acumula dois empates e três derrotas. A mais recente é um vexame. Ontem, o Monaco foi goleado no Estádio Louis II por 4 x 0 pelo Brugge, da Bélgica, e está eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. Resta ao clube brigar por uma vaga para a Liga Europa. Ruim na Champions League, pior no Campeonato Francês. Atolado na zona do rebaixamento da Ligue 1, Henry amarga o penúltimo lugar com sete pontos. Supera o lanterninha Guingamp nos critérios de desempate.

Carrasco do Brasil nas quartas de final da Copa de 2006 como centroavante e neste ano com a Bélgica, no papel de auxiliar do técnico espanhol Roberto Martínez, Thierry Henry é o oitavo jogador campeão mundial em 1998 a trocar o par de chuteiras pela prancheta. 

Títulos

Considerado o maior jogador da história do futebol francês, Zinedine Zidane topou ser auxiliar de Carlo Ancelotti no banco do Real Madrid. Como treinador, comandou primeiro o Real Madrid Castilla, time B dos merengues, em 2014. Dois anos depois, herdou a equipe principal no lugar do demitido Rafa Benítez. No primeiro ano, o protagonista da campeã mundial de 1998 levou o Real Madrid ao título da Liga dos Campeões da Europa, se tornando o único a ganhar a competição como jogador (2002), auxiliar (2014) e técnico (2016, 2017 e 2018).

Capitão da França em 1998, Didier Deschamps levantou o troféu como jogador e técnico e igualou os feitos de Mário Jorge Lobo Zagallo e do alemão Franz Beckenbauer. Em 2016, foi vice-campeão da Eurocopa. Assim como Henry, Deschamps começou a trajetória de técnico no Monaco. Levou o clube à final da Champions League em 2004. No entanto, perdeu o título para o Porto, de José Mourinho. Levou a Juventus de volta à elite do Italiano com o título da Série B e ganhou o Francês na temporada 2009/2010 com o Olympique de Marselha.

Didier Deschamps sucedeu outro baita técnico: o ex-zagueiro Laurent Blanc, que estava havia dois anos no comando da França, e também comandou clubes como o Bordeaux, de 2007 a 2010, e o Paris Saint-Germain, de 2013 a 2016. Tão bom quanto os velhos companheiros da França de 1998, Blanc conquistou os prêmios de melhor técnico da Ligue 1 em 2008 e em 2015, melhor da França em 2009. Volta e meia é cotado para assumir grandes da Europa.

Longe dos holofotes

Até os dois goleiros reservas do elenco campeão mundial na França se arriscaram como treinadores. Bernard Lama teve passagem relâmpago pela seleção do Quênia, em 2006, quando comandou a equipe por dois meses nas Eliminatórias para a Copa Africana de Nações. Lionel Charbonnier, terceiro goleiro da conquista francesa, comanda o Aceh United, clube que disputa o Campeonato da Indonésia. Antes, acumulou experiência no cargo em dois pequenos times da França — o Stade Poitevin e o FC Sens.

A lista de campeões de 1998 também tem o meia Bernard Dioméde, técnico da seleção de base da França desde 2015, e o ex-volante Patrick Vieira. Depois de treinar o New York City, de  2016 a 2018, ele assumiu o Nice, em junho. O time ocupa o nono lugar. Dos 22 jogadores da seleção francesa campeã na Copa do Mundo de 1998, apenas 12 não tiveram nenhum tipo de experiência nas funções de técnico ou auxiliar depois da aposentadoria.

Alain Boghossian, por exemplo, não chegou a assumir como treinador, mas ocupou o cargo de assistente da seleção francesa no período de 2008 a 2012. O ex-atacante Stephane Guivarc’h também ficou longe dos holofotes após o fim da carreira. Foi técnico do time amador US Trégunc de 2007 a 2011 e acumulou o comando da equipe com o cargo de presidente, em 2012. Ao menos, os dois se divertiram após a aposentadoria do futebol. Reserva de Guivarch, Alain Boghossian disputou campeonatos de golfe. Stephane Guivarch virou comentarista de tevê e gravou para a versão francesa de um jogo de videogame de futebol. 

Confira quais campeões da Copa de 1998 viraram técnico

Goleiros
Bernard Lama 
Lionel Carbonier 

Defensores
Laurent Blanc 

Meias
Patrick Vieira 
Didier Deschamps 
Bernard Diomède 
Zinedine Zidane 

Atacantes
Thierry Henry