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| As arquibancadas vazias contrastavam com o público pagante informado, de 941 pessoas |
Você sairia de casa em plena segunda-feira, às 17h, para ver o seu time — já eliminado — jogar pela Série C do Campeonato Brasileiro? Foi o que fizeram 941 torcedores do Jacaré na tarde de ontem. Esse é o número oficial divulgado do público que compareceu ao Serejão para assistir à goleada do Jacaré por 4 x 1 sobre o Ipatinga, com vaga garantida na Série B. O número, porém, é contestável. Quem esteve no estádio viu as arquibancadas vazias e achou difícil acreditar que houvesse mais de 500 torcedores no local.
Apesar da descrença, vale ressaltar que houve, sim, centenas de verdadeiros heróis no Serejão. Afinal, quem se mobiliza para ir ao estádio acompanhar uma equipe sem aspirações no campeonato e que vinha apresentando um futebol fraco? Uma dessas pessoas foi Raimundo Costa, de 59 anos, que gargalhou por um bom tempo ao ser questionado. “Boa pergunta. Só você para me fazer sorrir”, divertiu-se.
Recuperado das risadas, Raimundo explicou o motivo de estar ali sentado na arquibancada. “Primeiro, porque eu sou torcedor do Brasiliense. O bom torcedor não é aquele que vem só na hora em que o time está no auge”, afirmou. “O outro motivo é porque eu sou aposentado, então tenho todo o tempo do mundo”, brincou. Para ele, a campanha fraca do Jacaré tem um culpado bem específico. “Um dos motivos que contribuiu (para a eliminação) foi a permanência do Deda como volante. Ele não joga mais nada. Sempre que foi titular, o time entrou com 10 em campo. Ele estava atuando com nome, e isso não ganha partida”, disparou.
Perto de Raimundo estavam os irmãos Flávio e Gabriel Gomes, ambos vestidos com camisas do Jacaré. Apesar de frustrados com o péssimo momento do time, eles foram ao estádio para se despedir da equipe. “Eu sou apaixonado por futebol e acompanho o Brasiliense desde a criação. É o último jogo do ano em casa. Se não viesse agora, só em janeiro do ano que vem. A paixão pelo time é bem maior do que a raiva por não ter conquistado nada”, resumiu Flávio, de 34 anos, que carregou o irmão mais novo. “Não tinha nada para fazer em casa, vim acompanhar meu irmão”, admitiu Gabriel, de 16.
PlacarBrasiliense - 4Guto; Cicinho (Jonathan), Raphael, Moacri e Edinho; Valdo, Diego Tezelli (Ederson), Ferrugem e Tallys; Hugo (Elivelto) e Bachin
Técnico: Alexandre Sanz
Ipatinga-MG - 1João Carlos; Alex, Claudio Luiz, Pedrão e Chiquinho; Leanderson, Everton, Leandro Brasília (Gedeon) e Wellington Bruno; Cristiano (Malaquias) e Frontini (Daniel Lovinho)
Técnico: Ney da Matta
Gols: Ferrugem, aos 4; Edinho, aos 9; e Frontini, aos 37 minutos do primeiro tempo; Elivelto, aos 32 e 47 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Cicinho e Ederson; e Claudio Luiz
Cartões vermelhos: Bachin; Claudio Luiz, Pedrão, Everton e Bosco (no banco)
Renda: R$ 1.557
Público: 941 pagantes
Árbitro: Osimar Pereira da Silva Júnior (GO)
Fala sérioNos minutos finais da partida, Ipatinga e Brasiliense protagonizaram momentos lamentáveis dentro de campo. O atacante Bachin, do Jacaré, e o zagueiro Luiz Cláudio, dos mineiros, partiram para a agressão mútua e por pouco não causaram uma confusão generalizada. Ambos foram expulsos pelo árbitro Osmar Moreira Júnior, mas seguranças tiveram de entrar no gramado para impedir que sobrasse também pro juiz.
Saiba mais
Bom para o Joinville
O resultado de ontem no Serejão favoreceu o Joinville. O Ipatinga era a única equipe do grupo F que ainda poderia disputar com os catarinenses o lugar na final da Série C. Com a vitória do Brasiliense, os mineiros ficaram estacionados nos nove pontos, quatro atrás do Joinville, que carimbou seu lugar na decisão da Terceira Divisão.