Lorrane Melo - Especial para o Correio - Especial para o Correio
Vagner Vargas - Correio Braziliense
06/02/2012 08:14
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| O futebol é uma cachaça. Quem já jogou e tem uma vida dentro do esporte, não esquece" Eu tenho nome como ex-jogador, mas ter sucesso como técnico é difícil. Tem de ganhar títulos e chegar a um time grande" Cláudio Adão, ex-jogador e hoje técnico do Legião |
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| Quem é ele Nome: Alan George Alencar Data de nascimento: 8/8/1972 Local: Anápolis (GO) Peso: 98kg Altura: 1,88m Clubes que já comandou: Anapolina (GO), Anápolis (GO) |
As arquibancadas dos jogos do Botafogo-DF estarão mais bonitas nesta temporada graças a três moças de Anápolis. Brenda, Alana e Bruna são filhas de Alan George, o técnico do clube em 2012. O objetivo dele é classificar o time para a Série D e garantir o emprego por mais seis meses. Afinal, precisa pagar a faculdade das três meninas.
As herdeiras não escolheram cursos tão baratos. A mais velha quer ser dentista e a do meio, médica.
“No começo é uma luta, até porque vida de treinador é resultado, mas depois estabiliza”, torce o homem de fé. Católico, o treinador tem sempre um pensamento positivo e conta com a parceria da mulher, pedagoga, na hora de pagar as despesas. Porém, ele não se importa em ficar longe da família tanto tempo. Aliás, são elas que precisam visitar o pai.
Alan seguiu todo o caminho para se tornar um treinador de futebol. Foi jogador, técnico das categorias de base, auxiliar técnico e, finalmente, comandante de uma equipe profissional, começando na Anapolina e no Anapólis. Mas o quintal de casa estava pequeno para o goiano de 39 anos. Mesmo sendo cheio de problemas, ele considera o futebol candango uma porta para o mercado nacional. “O DF tem visibilidade, eu vim buscando isso”, afirma. “E eu procuro estar focado nas condições do clube. O que é extracampo, de federação,
não me interessa”, completa.
E ele acha que está bem servido. Mora em um hotel pago pelo Botafogo-DF, no Gama. Os treinos são realizados no CT do Jaguar, em Brazlândia, e a academia é em Taguatinga. Ele ainda não conhece muito Brasília, mas, com tantas voltas, deve aprender o caminho logo, logo.
Professor poliglota
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Ilustre recém-chegado
No plantel do Legião, nenhum jogador chama a atenção por já ter se destacado nos gramados. Lá, o grande nome da equipe fica no banco de reservas.
Contratado recentemente para comandar o clube no Campeonato Candango, o ex-atacante Cláudio Adão, com passagens, entre outros clubes, por Flamengo, Santos, Botafogo, Vasco, Fluminense, Corinthians, Cruzeiro e Seleção Brasileira, é a maior atração da equipe. Há pouco mais de uma semana em Brasília, o treinador tenta retomar a carreira interrompida duas vezes. “Passei por vários clubes, como Ceará, CSA, treinei equipes do Peru. Mas me retirei do futebol porque muitos deles não pagavam. Achei aquilo um absurdo e toquei a minha vida. Tem um monte de clube que me deve até hoje”, reclama.
Durante a pausa no futebol, Cláudio Adão foi trabalhar com a mulher, que tem uma produtora de cinema no Rio de Janeiro. Mas ele não aguentou ficar longe do esporte e aceitou o convite do Legião. “O futebol é uma cachaça. Quem já jogou e tem uma vida dentro do esporte, não esquece”, filosofa.
Aos 57 anos, o ex-centroavante sonha alto em relação à carreira no banco de reservas. “Se eu puder chegar à Seleção Brasileira vai ser ótimo”, diz, ciente das dificuldades do projeto pessoal. “A caminhada é muito difícil. Eu tenho nome como ex-jogador, mas ter sucesso como técnico é difícil. Tem de ganhar títulos e chegar a um time grande”, ensina.
Para ele, dirigir o Legião, apesar de estar em um campeonato de pouca expressão, é o primeiro passo para marcar o seu nome como treinador. “Todo campeonato regional no Brasil é bom para aparecer. Lógico que Brasília não é como Rio de Janeiro, São Paulo ou até Goiás, que tem times considerados grandes. É uma competição muito restrita, não passa na tevê, mas já saíram grandes jogadores daqui. Tomara que o futebol do DF cresça”, torce.
Cabeça em Goiás
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| Quem é ele Nome: Paulo Roberto Junges Data de nascimento: 7/5/1976 Local: Selbach (RS) Peso: 75kg Altura: 1,80m Clube que já comandou: Crac (MT) |
O pensamento de Gauchinho está sempre longe daqui. Não no Rio Grande do Sul, estado onde nasceu, mas no futebol goiano, qualificado por ele como grande.
“É mais organizado, os jogos são transmitidos na tevê, e as premiações são altas. Aqui, a gente nem sabe se vai ter campeonato”, desabafa o técnico de 35 anos, que deixou a mulher e o filho de 7 na capital goiana para comandar o Brasília nesta temporada.
Há três anos, antes de parar de jogar futebol como atacante, ele já pensava em ser treinador. Sabia também que teria de começar por baixo. Na época, como atuava pelo Brasília, conversou com a diretoria e cavou uma possível vaga no banco da equipe — mesmo não gostando de ficar sentado e preferindo o estilo mais enérgico ao lado do gramado.
O filho acha que o pai ainda é jogador de futebol — ele abandonou a carreira porque já estava cansado — e a mulher, que trabalha na empresa de águas de Goiás, apoia a profissão do marido. No entanto, só o vê aos fins de semana, quando o jogo acaba.
“O futebol do DF tem muita dificuldade. São poucos os times que dão condições básicas ao treinador e pagam os salários em dia”, reclama Gauchinho, que já estava contratado desde setembro do ano passado.
E o Brasília, segundo ele, é um desses “bons empregadores”. O time usa o centro de treinamento arrendado do CFZ. O CT oferece refeitório, academia e alojamento aos jogadores. O treinador mora em um apartamento pago pelo clube, em Águas Claras.
“Não vai ser em Brasília que a gente vai ficar rico”, diz. Mas pode ser aqui que ele seja visto por outros times. O objetivo da carreira, ainda curta, é dirigir um grande clube, com uma grande torcida.
E, de preferência, perto de casa.
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